Entrevista a Manuela Ribeiro

Entrevista a Manuela Ribeiro, autora dos livros „Uma Letra, Mil Palavras“ e „A Plantinha dos Meus Pais“. A autora natural de Caldas da Rainha é licenciada em Estudos Germanísticos pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e realizou o Curso de Língua Italiana, pelo Instituto Italiano de Cultura.  Com base nos seus conhecimentos linguísticos de Português, Francês, Inglês, Alemão, Italiano e Holandês realizou numerosos trabalhos de tradução para empresas e editoras. Exerce a profissão de docente desde 1991, leccionando as disciplinas de Português e Inglês. Além disso é coordenadora do Projecto de Ensino de Português Língua Não Materna. Manuela Ribeiro tem diversos livros publicados, dos quais detacamos a colecção Aventuras de Miguel e Ricardo.

autora Manuela Ribeiro
foto: Manuela Ribeiro

Olá Manuela! Quero em primeiro lugar conhecê-la um pouco mais. Onde nasceu?

Nasci em Caldas da Rainha em 1951.

 

O que gosta de fazer nas horas de lazer?

Gosto de ler, de ver um bom filme, de caminhar, de tratar da horta minúscula que tenho na varanda…

 

Qual é o livro infantil que mais adorava quando era criança?

Mais do que de qualquer livro infantil, fascinavam-me as histórias de quando o meu pai era pequeno e que eu o “obrigava” a contar-me todas as noites.

 

O que a motivou escrever livros infantis? Quais as suas inspirações e influências para escrever?

A escrita de livros infantis é relativamente recente. Comecei por escrever romances juvenis e livros de aventuras cujo objetivo é dar a conhecer ao leitor alguns aspetos da história e da cultura do local onde a ação decorre.

Quanto aos livros para os mais pequenos, são uma tentativa de levar até eles temas sérios que poderão “discutir” com os pais e os educadores: a diferença (“Castanho & Branco”), a adoção (“A Plantinha dos meus Pais”) e os afetos (“História do Senhor Sisudo que Sabia Tudo Tudo”).

Quando escrevo, inspiro-me sobretudo na realidade que, a meu ver, é a melhor de todas as fontes de inspiração. É por isso que nas minhas histórias aparecem frequentemente (sem que eu o refira em notas de pé de página, claro!) episódios da minha infância e juventude ou que aconteceram na escola enquanto dei aulas, respostas hilariantes de alunos…

 

Alguns dos seus livros optou por editar como edição de autor. Porque é que decidiu fazê-lo? Existem mais vantagens comparando com a publicação numa editora?

Comecei por publicar os meus livros em editoras que, por diversos motivos, acabaram por cessar a sua atividade editorial. Quando foi necessário começar a reeditar a coleção “Aventuras de Miguel e Ricardo”, cujos livros têm uma grande aceitação junto das escolas, pesei muito bem os prós e os contras de uma edição de autor e decidi avançar. Claro que há um investimento inicial, mas depois não é preciso estar à espera do pagamento anual de 8% de royalties (quando se recebem…) e existe um controlo total sobre todo o processo.

 

Como surgiu a ideia de criar o livro „Uma Letra, Mil Palavras “?

“Uma Letra, Mil Palavras” surgiu por acaso. Tudo começou quando, numa tarde de grande temporal, eu estava presa num engarrafamento, dentro de um autocarro. Para me distrair, fiz um poema a algo a que ninguém faz poemas: um pente. Porquê? Não sei! Saiu assim, sem mais nem menos. Passadas algumas semanas voltei a lembrar-me da história do pente e pensei: “E se fizesses poemas para todas as outras letras do alfabeto?” E foi assim que surgiu o livro.

 

Como estão a ser as reações ao livro?

Foi o meu primeiro livro infantil e tem-me dado muitas alegrias. A Rádio Universitária do Minho, na sua rúbrica “Livros com RUM”, considerou-o o 2º melhor livro infantil de2012. Além disso, tem sido trabalhado em muitas escolas desde o Jardim de Infância até ao 6º ano, com abordagens diferentes, claro está. Também tem sido utilizado em Oficinas de Artes Plásticas.

 

Qual foi o comentário mais engraçado de um leitor que já recebeu?

Tenho ouvido muitos comentários engraçados sobre este e sobre os meus outros livros, mas uma das situações mais divertidas aconteceu recentemente, numa sessão com alunos de 5º ano. Um deles perguntou-me qual era o meu escritor preferido e respondi-lhe que era Eça de Queiroz. Tornou o garoto (que por acaso estava a conversar com uma escritora): “E já se encontrou alguma vez com ele?” Disparo eu: “Graças a Deus, ainda não!” Claro que em seguida expliquei-lhe o porquê da minha resposta tão pronta.

 

Atualmente tem novos projetos planeados? Pode adiantar-me alguma coisa?

Neste momento estou a tratar da reedição, com nova ilustração de capa, do romance juvenil “Eu Sou Bom Mas Não Me Gabo” e lá para setembro ir+a sair um novo livro infantil.

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